Além do Desenvolvedor
Confesso que o termo “desenvolvedor” sempre foi algo que me incomodou, algo como o termo “web designer” para os designers. E por que me incomoda? Simplesmente porque acho esse termo muito limitador, dá a sensação de que o desenvolvedor é um cara limitado ou que só faz coisas pontuais, como desenvolver códigos. Na verdade não é apenas isso, pelo menos não deveria ser, pois um bom profissional tem que ir muito além disso.
Ao passar dos anos aprendi que um “bom desenvolvedor” deve se preocupar com questões além do código, como por exemplo:
- SEO (no caso de websites, claro);
- Segurança (sql injection, xss, etc);
- Arquitetura da Informação;
- Performance;
- Organização do Projeto;
- Sistemas Operacionais e Servidores;
- Metodologias de Desenvolvimento;
- Ter bom convívio social.
Os assuntos acima são apenas alguns dentre uma gama de assuntos, que podem ser citados como de interesse de um “bom desenvolvedor”. Não estou afirmando que o tal “bom desenvolvedor” deve ser um expert em tudo, mas ele deve ter o mínimo de conhecimento em N assuntos para saber os prós e contras que aquilo trará para o seu projeto. Entretanto isso não é uma tarefa das mais fáceis, já que para deter conhecimento de uma gama de assuntos, esse “bom desenvolvedor” deve dedicar um considerável espaço de tempo para leituras e pesquisas, sejam em livros propriamente ditos, como em blogs, artigos ou revistas.
Todos os “bons desenvolvedores” que conheço e que hoje em dia tem um cargo de maior responsabilidade, como líderes de projeto ou coordenadores de área, possuem uma certa habilidade para lhe dar com assuntos variados, bem como uma certa facilidade em absorver novos conhecimentos. É muito diferente, por exemplo, desenvolver um site que tenha centenas de acessos diários, para um e-commerce que tenha cerca de 1000 compras por hora, pois nesse último caso tudo deve ser pensado de forma diferente: desde a arquitetura, otimizações de banco de dados, resources (javascript) de terceiros, acesso concorrente até privacidade das informações e volume do tráfego de dados… enfim, não é pouca coisa.
Infelizmente o mercado global de TI aponta que a quantidade dos “desenvolvedores” – aqueles que não queremos ser – ainda é maior do que as dos “bons desenvolvedores”, e isso não sou eu que digo, pesquisas de institutos respeitados (aqui, aqui, aqui e aqui) apontam para uma escassez de mão-de-obra qualificada no mercado. Eu ainda diria mais: acredito que no Brasil a disparidade deva ser ainda maior.
Certamente você que está lendo esse post pode achar que não se enquadra nesse perfil citado acima, mas será que realmente não? Se você tem essa certeza, é um bom caminho, mas procure não se acomodar. É como diz aquela famosa e sábia frase de Sócrates: “Quanto mais se aprende mais se tem a certeza de que nada se sabe”. Agora, se você ficou na dúvida, não se desespere! Basta apenas começar a pesquisar e estudar mais, sem botar a carroça na frente dos bois. Uma dica que dou, é de que é preciso ter um foco, devemos nos conhecer melhor, saber o que gostamos de fazer e tentar imaginar onde e como gostaríamos de estar trabalhando daqui há alguns anos, a partir disso, acredito ser possível saber suas aptidões e o que pesquisar/estudar, pois de nada adianta conhecer mil coisas superficialmente e não ter foco em nada, definitivamente não é isso que o mercado procura.
Outro ponto que não posso esquecer, são as famosas empresas que querem aquele cara “ninja”. Um ninja deve ser o cara que sabe de tudo e mais um pouco. Muitas vezes essas empresas pagam pelo “ninja” um salário de estagiário e exigem do “ninja” um desempenho de sênior, já que quando o “ninja” foi contratado não foi levado em conta o seu nível de experiência e conhecimento. Essas empresas, apenas colaboram de forma efetiva para degradação do mercado e pela escassez de bons profissionais.
Devemos saber dividir as coisas: uma coisa é um bom profissional, que tem um foco bem definido, mas que possui conhecimento sobre outros assuntos, outra coisa é um profissional que sabe assobiar, chupar cana e cantar ao mesmo tempo, mas que na verdade não faz nenhum dos três bem. Quando surgir uma empresa ou profissional com esse perfil, desconfie.
PS: Como são sinônimos, eu diria que o termo “programador” causa o mesmo efeito.
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