O paradoxo de(a) TI
Semana passada rolou uma apresentação sobre TDD muito interessante na empresa que eu trabalho, onde foram apresentados desde os conceitos básicos de TDD, até os tipos de testes existentes e finalizando com uma aplicação exemplo.
No final rolou uma rodada de perguntas, onde foram questionados assuntos como BDD, programação defensiva, contract by domain, dentre outras metodologias e padrões. Nesse ponto da apresentação, a maioria das pessoas que estavam presentes ficaram meio perdidas com as milhares de buzzwords associadas com as perguntas que foram feitas. O pessoal mais antigo ficou mais perdido ainda e até brincaram sobre a questão do “estamos ficando velho”.
Paralelamente a isso, começei a ler essa semana um livro do Tadeu Cruz sobre BPM e BPMS, onde no primeiro capítulo ele fala sobre a questão da desorganização informacional, muitas vezes causadas pelo excesso de informação e as novas ondas de TI que surgem a todo momento. Outra coisa que o autor do livro cita e crítica é que existem muitos casos de determinadas organizações, que forçam o uso de determinado software sem obter o real benenfício que esse software deveria oferecer, na maioria dos casos, por questões comerciais ou de interesse próprio dessas organizações. Questões como: para que determinada tecnologia foi criada, como deveria ser corretamente usada, como efetivamente está sendo usada, quais deveriam ser os resultados esperados do seu uso e quais são os resultados que estão sendo obtidos com sua utilização, orientariam de forma efetiva o profissional ou a organização com o intuito de medir se a adoção de determinada tecnologia está realmente sendo benéfica. Esse tipo de situação tem ocorrido muito com BPM, que é o novo hype do momento tratando-se de TI.
O que as duas histórias tem em comum e onde estou querendo chegar?
O que eu quero dizer é o seguinte: até onde vale apena conhecer N conceitos diferentes e até onde não vale a pena? Nos casos citados acima tem um pouco das duas coisas, bem como suas respostas. No caso específico do TDD, deveríamos considerar que o melhor a ser feito seria debater sobre as buzzwords que o assunto levantou, ou o melhor seria não conhecer muitos desses novos padrões e metodologias? Eu fico com a primeira opção, mas a segunda opção pode contradizer a primeira. Explico logo abaixo.
Vale a pena usar TDD e BDD em um projeto sem conhecer seus benefícios, o resultado a ser esperado e os possíveis obstáculos a serem vencidos? Não. Pois nesse caso tudo de positivo que TDD traria sendo usada da forma correta, traria inversamente em dobro no caso do seu mal uso, pois nesse caso o projeto acabaria tendo novos percalços (além dos já conhecidos), como: prazos atrasados, código mal estruturado, equipe perdida e etc. E isso acontece em larga escala em TI, não apenas no caso específico do TDD, já que o mais se vê são empresas gastando milhões em “soluções” de TI (CRM, ERP, BI, etc) – muitas vezes empurradas pelos ótimos vendedores dos grandes players do mercado – sem obter benefício algum sobre aquilo (ou até mesmo desconhecendo o porquê do seu uso). Na verdade muito pelo contrário, pois como muito desses processos são feitos sem estruturação alguma e demoram meses, anos… no final das contas a dor de cabeça e o custo envolvido não atingem nem de perto o custo x benefício esperado sobre aquele investimento.
Outro fênomeno interessante a ser observado e que de certa maneira ligam as duas histórias é a infobia. Infobia é uma palavra que o Tadeu Cruz usa para definir o medo por informação, ou seja, em determinado momento, com a enxurrada de tantas buzzwords, as pessoas acabam ficando reativas em absorver novas tecnologias e entender o seu significado, com isso de certa forma ficam estagnadas, pois deixam de absorver novos conhecimentos. Mas em compensação não adianta em nada conhecer várias palavrinhas mágicas superficialmente só para dizer que “domina” aquela tecnologia do momento. Por isso, acredito que dependendo do contexto, é válido ou não conhecer uma nova tecnologia. Esta aí mais um caso do paradoxo de TI. De certa forma, mas sem generalizar, a infobia consegue explicar a frase “estamos ficando velho”.
Devemos considerar que TI não irá salvar o mundo, TI pode ajudar de forma efetiva qualquer negócio de qualquer natureza, desde que seja aplicada da forma correta, e aplicar de forma correta envolve antes de mais nada: estruturação, disciplina, educação, mudança e planejamento. Ao mesmo tempo que sabemos de diversos casos onde TI trouxe um real benefício as organizações, sabemos de tantos outros onde TI acabou com negócios, projetos e sonhos. A bolha da internet talvez seja o melhor exemplo que ilustra essa situação das ondas de TI.
Muitas vezes as ondas de TI trazem a tona novas tecnologias que surgem apenas com o objetivo de remediar uma tecnologia já existente. O que as vezes é considerado como inovação, nada mais é que uma evolução de algo que tenha tido insucesso no passado, dessa forma uma tecnologia X surge apenas com o intuito de servir como “curativo” da tecnologia Y, que prometeu maravilhas e na verdade devido ao seu mal uso (ou não) só trouxe dores de cabeça.
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