Ponto para o Rails!
É muito curioso ver todo o frenesi e o burburinho que o Rails (RoR) vem causando entre os desenvolvedores mundo a fora, pelo menos aos que estão próximos a mim isso é nítido, as pessoas ficam maravilhadas, quase em êxtase! Acho isso fantástico, pois de certa forma o RoR tem feito com que uma série de preconceitos sejam quebrados e esquecidos. E qual o principal motivo para tudo isso? A simplicidade e a praticidade.
Linguagens de programação tendem a ser parecidas com religião ou com times de futebol, a pessoa simplesmente escolhe uma e defende aquilo com todas as forças, geralmente de forma cega. Eu particularmente acredito que, para defender ou criticar algo, se faz por necessário conhecer profundamente aquilo que você defende ou critica, pois só assim você terá argumentos para apontar falhas ou reconhecer méritos. Sou, ainda, a favor da filosofia “cabeça aberta”, que em poucas palavras quer dizer: não tenha medo, muito menos preconceito, de conhecer algo novo, conheça para a partir disso você ter uma opinião formada se aquilo te agrada, ou não.
É comum acontecer em fóruns e em listas de discussão debates sobre “qual linguagem é melhor”, na maioria das vezes as pessoas atacam uma linguagem, ou defendem outra, simplesmente baseadas em sua opinião pessoal, ou melhor, baseados na falta de conhecimento. As pessoas não conseguem enxergar que todas têm seus prós e contras, como tudo na vida, e que a partir de uma situação real que é possível avaliar a melhor opção.
Eu comecei a programar através do PHP e hoje em dia trabalho basicamente só com Java. Programadores Java tendem a achar PHP um lixo, na maioria das vezes com embasamentos e teorias totalmente furadas, que demonstram tremenda falta de conhecimento. Eu concordo que o PHP tem uma má fama devido a linguagem ter demorado a amadurecer, como também concordo que o nível dos programadores em PHP no geral é baixo, é duro admitir, mas no geral é assim, provavelmente pela facilidade que a linguagem proporciona e também por sua curva de aprendizado ser bem mais baixa que a do Java, por exemplo. Mas isso quer dizer que o PHP é ruim? Eu poderia enumerar uma série de vantagens que o PHP tem em relação ao Java, da mesma forma que o Java tem uma série de outras vantagens em relação ao PHP, mas esse não é o foco do tópico, o foco é justamente o contrário.
Uma “nova” era
E para acabar, ou pelo menos ajudar bastante, surge o famoso framework Ruby on Rails, o hype do momento tratando-se de linguagem de programação! Ruby on Rails é um framework de desenvolvimento web que prega o conceito de que algo deve ser simples, prático e prazeroso de fazer, dessa forma inúmeros benefícios são alcançados, como: códigos com mais qualidade, tempo de desenvolvimento mais curto e comunidade participativa. Ruby on Rails não é uma linguagem de programação, é um framework, que foi desenvolvido em cima da linguagem Ruby, que é uma linguagem de programação criada por um japonês em 1995 baseada nos pontos fortes de várias linguagens da época. Reparou no trecho “…que havia de melhor em outras linguagens…”? Ou seja, o próprio criador da linguagem era (ou é) totalmente desprovido de preconceitos, e com isso conseguiu identificar os pontos fortes e fracos de várias linguagens com o intuito de criar uma, que no seu modo de ver, seria mais eficiente.
Complexidade não é sinal de qualidade
Uma linguagem de programação, um framework ou uma API, tem como principal objetivo (pelo menos deveria) fornecer uma maior praticidade aos desenvolvedores em solucionar problemas. Essa deveria ser a premissa básica para que uma determinada linguagem ou plataforma fosse adotada em um projeto, entretanto nada impede que N linguagens ou plataformas trabalhem de forma conjunta, desde que proporcionem alternativas para descomplicar o problema.
Só para esclarecer: simplicidade, praticidade, produtividade e facilidade nesse caso são sinônimos!
Outro ponto a ser observado é que a engenharia de software é um assunto relativamente novo, principalmente se formos comparar as outras engenharias, como a civil, e por isso é tão comum observarmos novas metodologias, padrões e linguagens surgindo a todo momento. Mas o que elas tem em comum é que todas tem como objetivo resolver os problemas da maneira “menos complexa” que for possível, é claro que outros fatores são levados em consideração, entretanto se paramos para pensar a simplicidade é sempre a prioridade.
E é por isso que o RoR está na crista da onda, pois talvez nenhum framework descomplique tanto as coisas como ele, e o melhor é que isso é contagioso, pois a todo momento surgem mais e mais frameworks “RoR like“, em PHP existe uma penca deles, como: Akelos, Code Igniter, Cake, Kohana. Até o sempre conservador Java se rendeu ao RoR e lançou o Groovy (JSR 241) e consequentemente o Grails, que é um framework web baseado em quem? No Rails!
Maçãs são maçãs e bananas são bananas!
O título acima parece estranho, mas ele serve para deixar claro o seguinte: comparar linguagens não é algo inteligente, ao invés disso, procure conhecê-las e tirar proveito do melhor de cada uma. PHP é PHP, Java é Java, Python é Python! Assim como maçãs são maçãs e bananas são bananas, portanto não cabem comparações. Parece óbvio, e na verdade é, mas mesmo assim existem pessoas que ainda insistem em levar essa discussão adiante, onde dificilmente é tirado algum proveito.
Só para deixar claro, eu nunca desenvolvi uma aplicação sequer usando o RoR, já usei alguns frameworks “RoR like” e tive ótimas experiências, entretanto não acho que o RoR substitui o Java, o PHP, ou até mesmo o .NET, como eu já disse, cada um tem o seu propósito e por isso deve haver um equilíbrio na tomada de decisões sobre “o que escolher?”, fatores como: experiência com determinada linguagem, documentação, maturidade, infra-estrutura, segurança não podem ser esquecidos de forma alguma, pois no final é a sinergia entre vários fatores que determina as opções a serem escolhidas.
É normal, e de certa forma até compreensível, nos deixarmos levar pela emoção de conhecer um novo mundo e com isso embarcamos no erro de que a partir daquele momento tudo será feito “daquela forma”, com “aquela nova linguagem”, e isso é um erro, dos graves! Nesse ponto, a experiência, o conhecimento e o equilíbrio fazem toda a diferença na tomada de decisão mais acertada.
Só para finalizar, gostaria de ressaltar que nada impede que existam linguagens e frameworks ruins, é claro que eles existem, mas mais uma vez, para termos essa certeza é preciso conhecer. Da mesma forma que, não é só porque devemos abrir a nossa cabeça e olharmos para os lados, ao invés de olharmos só para frente, que devemos deixar de considerar nossas preferências e aquilo com que temos mais facilidade. Preferência e preconceito não são sinônimos.
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Marcus,
Framerworks, linguagens e etc.. são coisas que a cada hora vem um(a) novo(a), que faz Y que o(a) outro(a) não faz.
Caso a linguagem que a pessoa utilize seja uma linguagem que não esteja descontinuada e esteja sendo melhorada como é o caso do PHP, não vale a pena se aprofundar nela ?
Ou vale a pena mudar de linguagem e perder alguns meses, anos e correr o risco desse ciclo acontecer novamente ?
Eu particulamente tentei estudar Java e Ruby e para o que eu preciso fazer na minha empresa eu vi que não seria necessário aprende-las e sim me aprofundar no PHP.
Não seria interessante já que você tem uma “cabeça aberta”, escrever um post sobre esse assunto.
Abs
sugestão anotada :)
Muito bom o texto, parabéns.
Acho que o mais interessante na “revolução” do rails é o efeito que teve sobre as outras ferramentas, e também na forma de programar.
É legal notar também que conhecer outra linguagem ou tecnologia pode trazer beneficios para a sua favorita também, como quem programa em Java trazer algumas ideias do RoR, ou alguem de PHP aprender com a disciplina do Java.
Post muito bom, porém 2 anos atrasado..