Web Services: REST versus WS-*, WS-* versus REST

Um dos maiores problemas no desenvolvimento de software é a integração entre aplicações que foram construídas sobre plataformas/linguagens distintas, onde essas aplicações deveriam conversar entre si com o intuito de trocar informações. Para resolver, ou melhor, tentar resolver esse problema, foi proposto um padrão que atende pelo nome de Web Services, que hoje é um padrão mantido pela W3C e OASIS.

Web Services são componentes que permitem que duas aplicações troquem informações entre si utilizando um canal de comunicação (network), na maioria das vezes o protocolo HTTP. Existem alguns tipos de Web Services, mas os mais conhecidos e usados hoje em dia são: RPC, WS-* (WSDL/SOAP) e REST.

Dos padrões citados, provavelmente o formato mais conhecido e usado hoje em dia é o WS-*, que define que um serviço deve receber/responder mensagens no formato XML (SOAP) e deve possuir um contrato que defina os seus serviços (WSDL). Só que esse formato, principalmente depois da popularização do REST, vem sofrendo pesadas críticas de toda comunidade de desenvolvimento, que alega que esse formato é burocrático e complicado, enquanto o REST é um formato mais simples e objetivo.

Minha opinião é que tanto o padrão WS-* como o padrão REST não se substituem, pelo menos não por enquanto, e que tentar fazer essa comparação ainda não agrega, pois existem casos específicos onde REST é muito bem-vindo, assim como existem casos onde o padrão WS-* é muito bem-vindo.

WS-* – Vantagens e desvantagens

Uma das principais reclamações em relação a esse formato é que o mesmo possui N especificações e que isso o torna complexo e burocrático, e de certa forma eu concordo. Só para se ter uma idéia existem mais de 15 especificações para esse formato e conhecer todas é humanamente impossível e inviável.

Outra reclamação é em relação ao overhead que a troca de mensagens de um serviço no padrão WS-* pode causar, pois todas as mensagens precisam ser envelopadas dentro de um pacote SOAP, que nada mais é que um XML padronizado. Esse overhead é causado, pois dentro de um envelope SOAP, o que é usado é a menor parte do conteúdo que está ali contido, dessa forma há muito “lixo”.

Essas duas reclamações citadas acima, são as maiores reclamações dos desenvolvedores em relação a serviços WS-*, contudo no meu modo de ver existem também muitas vantagens no uso do formato WS-*, principalmente no que diz respeito a integração entre aplicações corporativas e também em relação a SOA.

Por exemplo, eu trabalho em um ambiente onde existem muitos serviços, muitos mesmos, e esses serviços são desenvolvidos por N fornecedores, em N plataformas distintas e são usados por N por aplicações. É um cenário bem complexo e eu não imaginaria esse cenário sem o uso do formato WS-*. E por quê? Em primeiro lugar porque ter um contrato formal desses serviços é totalmente necessário, afinal eu preciso saber o nome desses serviços, preciso saber o que eles estão esperando receber, o que eles irão me responder e como serão esses dados. Imagine se um serviço desses mudar o caos que seria?

Outro fator muito importante são as ferramentas de apoio, afinal elas além de facilitar o trabalho, trazem também produtividade. Existem N ferramentas que ajudam na simulação, testes, geração de Mock’s, teste de carga, debug e tantas outras atividades necessárias no desenvolvimento/acesso a esses serviços. A principal ferramenta free usada hoje em dia é o soapUI.

Em relação a SOA, o formato WS-* também se mostra a melhor opção. SOA é uma maneira de se construir softwares baseado no conceito de serviços, onde esses serviços devem possuir um contrato formal, devem ser independentes (possuir baixo acoplamento) e devem ser reutilizáveis. Outro princípio de SOA diz que esses serviços devem ter a capacidade de serem descobertos e nesse ponto o WS-* mais uma vez sai na frente, pois o mesmo possui o protocolo UDDI, que é um método utilizado para publicar e descobrir diretórios de serviço em uma arquitetura SOA.

REST – O que é, vantagens e desvantagens

REST é o acrônimo de Representational State Transfer, que é um modelo de arquitetura baseado no protocolo HTTP e que utiliza URI para identificação dos seus serviços. REST é uma maneira de construir serviços usando o protocolo HTTP como ele foi concebido, ou seja, usando: POST, GET, DELETE e PUT.

Serviços RESTful (serviços REST) partem do princípio que o protocolo HTTP é rico o suficiente para que seja criada uma abstração – no caso WS-* seria uma abstração – para construção de serviços.

Uma das vantagens em utilizar serviços REST sem dúvida nenhuma é a simplicidade, afinal criar serviços REST é usar de maneira parecida o protocolo HTTP como usamos atualmente no desenvolvimento de aplicações Web, ou seja, se você usa o método POST em um formulário, você consequentemente está usando REST, a única diferença é que o submit desse formulário devolveria um conteúdo HTML, quando que em um serviço RESTful o indicado seria devolver uma estrutura mais padronizada, no caso um XML ou um JSON, por exemplo.

Outra vantagem no uso de serviços REST é a performance, pois os seus request/response são infinitamente menores se comparados com os do formato WS-*, e são menores, porque não precisam ser envelopados dentro de um pacote SOAP, serviços REST apenas recebem o que precisam e consequentemente respondem o que é necessário.

Serviços construídos no formato REST também são mais humanos, ou seja, são mais compreensíveis que serviços WS-*. Isso se deve ao fato de que para construir um serviço REST não é necessário conhecer N especificações, não é necessário saber o que é WSDL, assim como também não é necessário conhecer um pacote SOAP. São mais humanos também, pois são identificados através de URI’s.

Dentre outras vantagens de serviços RESTful destaco a possibilidade de fazer cache das operações, possibilidade de criar camadas intermediárias (proxy, gateway, cache servers) com o intuito de aumentar a performance ou segurança e possibilidade de usar HTTPS nativamente.

Pensando em um ambiente corporativo, em aplicações enterprise e em arquitetura SOA, começam a surgir alguns problemas em relação a adoção de serviços REST, a começar pelo fato de que REST não possui um padrão oficial para descrição dos seus serviços, até existe uma frente interessada em criar esse padrão utilizando WADL, mas ainda não existe nada oficial, portanto essa é uma grande desvantagem.

Serviços REST também não possuem estado, são stateless, ao contrário de serviços WS-*, pois os mesmos podem possuir estado entre uma chamada e outra. Serviços REST também não permitem requisições assíncronas e utilizando o formato WS-* é possível fazer requisições sem que seja necessário esperar uma resposta.

Pensando em SOA, REST não é a melhor opção, afinal, conforme citado anteriormente, REST não possui um contrato formal para definir a interface dos seus serviços, assim como também não possui uma maneira para que esses serviços possam ser publicados e descobertos.

Outra desvantagem no meu modo de ver, é que para construção de um processo BPEL, se faz por necessário que os serviços possuam uma interface que os descreva (WSDL), nesse caso serviços REST não seriam os mais indicados para serem usados dentro de um processo BPEL, contudo existem algumas maneiras de realizar esse workaround para usar serviços REST dentro de um processo BPEL. Dependendo da ferramenta escolhida, algumas fornecem soluções como a criação de Partner Links HTTP, ou seja, são Partner Links próprios para serviços REST, ou então, algumas outras ferramentas fornecem maneiras um pouco mais trabalhosas como a criação de um WSDL que descreva o serviço HTTP (REST).

Afinal, qual devo usar?

Sinto lhe frustrar, mas a resposta para essa pergunta é: depende, cada caso é um caso.

Não é inteligente ignorar uma ou outra opção, ou ser cego a ponto de desconsiderar os benefícios e vantagens de cada uma. Na minha opinião, fomentar essa discussão é cair no mesmo de discutir “qual linguagem é melhor”, afinal cada uma tem seu propósito.

Os fanáticos por REST costumam dizer que o formato WS-* só existe, pois os grandes players do mercado (Oracle, IBM, Microsoft, etc) estão envolvidos, já que esses grandes players desenvolvem ferramentas específicas para facilitar a criação e a manutenção a serviços construídos dessa maneira. Quem faz essa afirmação está completamente equivocado, pois por mais burocrático que serviços WS-* possam ser, eles ainda possuem uma enorme utilidade que serviços REST ainda não satisfazem.

Agora, no caso de serviços para celulares, PDA’s, e outros dispositivos móveis, onde cada dado enviado/recebido tem um custo alto, utilizar serviços REST é sem dúvida a melhor opção. Da mesma maneira que para prover serviços de aplicativos web, como mashups, REST também é a melhor opção, a maior prova disso é que em serviços como Twitter, Facebook, Amazon e até mesmo o Google, estão usando REST em larga escala.

Mas também existe o outro lado da moeda, pois pensando em um ambiente complexo, com muitos serviços, repositórios, ainda não dá para pensar em outro formato que não seja WS-*.

Enfim, mais uma vez volto ao ponto de que devemos conhecer as opções para tomar a decisão de escolher o que é mais adequado, REST não substitui WS-* e vice-versa, insistir nessa rixa não agrega e quem não enxerga dessa maneira, precisa rever seus conceitos, ou então estudar mais.

Aproveito para deixar o link para download de uma apresentação sobre REST, que fiz no meio do ano passado, na empresa que eu trabalho: clique para fazer download.

SOA

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