Pensando em uma arquitetura simples para integração entre sistemas
Tentei bolar um título melhor para o tópico, porém confesso que não consegui, mas ainda assim acho que o título se aplica no que será falado nas próximas linhas.
O problema
Em um projeto pessoal recente precisei fazer a integração entre três sistemas distintos, na verdade os sistemas são distintos, mas não deveriam ser. Trata-se de um site e o que ocorre é que esse mesmo site possui três módulos (sistemas) que estão em plataformas, linguagens e lugares diferentes. Conclui-se que é um projeto que foi crescendo desordenadamente e que em nenhum momento ninguém pensou em uma maneira de organizar melhor os módulos e realizar as integrações. Como esses módulos foram feitos em linguagens e plataformas diferentes, o requisito número um do cliente era que esses módulos se comunicassem e que essa comunicação fosse transparente pra ele e para quem fosse administrar o sistema.
Cenário atual
O site é um pequeno site de e-commerce e dos três módulos existentes, um diz respeito ao frontend/backend do site e é feito com .NET/SQL Server, o outro módulo é o backend de vendas e é feito com PHP/MySQL e o último módulo é o de newsletter (mailing) que também está em PHP/MySQL. O módulo de vendas foi o último a ser desenvolvido e deveria ser mantido, o problema é que o administrador do sistema precisa “inputar” todas as vendas na mão, isso mesmo, na mão! Atualmente, quando um cliente tem interesse em algum produto do site, ele envia um email ao administrador informando qual(is) o(s) produto(s) ele tem interesse e os seus dados pessoais, e por sua vez o administrador entra no módulo de vendas, cadastra esse novo cliente, cria um pedido de venda, gera um login/senha para esse cliente e envia por email para que ele possa se autenticar no módulo de venda, concluir a compra e efetuar o pagamento.
Além de ser algo totalmente mecânico e nada prático, não há nenhuma relação entre os módulos do site e o administrador precisa reproduzir os dados do produto, que já existe em um módulo, em outro. Eram esses problemas que deveriam ser remediados.
Requisitos do cliente
Um dos requisitos do cliente, era de que o site (frontend e backend) deveria ser construído novamente, pois o atual além de ter sido construído em uma plataforma que ele não tinha mais interesse em manter, também estava incompleto e apresentando problemas, portanto o primeiro requisito era refazer todo o site com PHP/MySQL.
O segundo requisito era que o processo compra de produtos deveria ser todo feito através do site, pelo cliente, e não da forma arcaica como é atualmente e que foi descrita acima.
O terceiro requisito era que o módulo de vendas deveria ser mantido, pois ele atendia o que o cliente precisava, sendo assim o sistema que eu iria desenvolver deveria alimentar diretamente esse módulo de vendas.
Estrutura do módulo de vendas
Felizmente o módulo de vendas estava construído de uma maneira que facilitou o meu trabalho, quem o desenvolveu se preocupou em criar classes de modelo, uma camada de persistência e uma camada de negócio, portanto pude pensar em uma arquitetura simples em funcional muito em função disso.
Arquitetura pensada
Tentei pensar em algo que não criasse uma dependência entre os sistemas e que me fizesse mexer o minímo possível, ou nada, no módulo de vendas que seria mantido. Outros fatores que levei em consideração era que eu queria algo fácil de implementar, de dar manutenção e que de certa forma fosse rápido de desenvolver.
Conclui o desenvolvimento do (frontend/backend) e parti para pensar em uma arquitetura que me permitisse fazer tudo o que citei acima e que além disso me permitisse utilizar a boa estrutura que eu encontrei no módulo de vendas.
Para construir o site utilizei o Code Igniter, que é um framework que tenho prática, e também é leve e rápido de desenvolver, mas o que vale ressaltar é que arquitetura é algo que é independente de framework, portanto se eu tivesse utilizado qualquer outro framework, ou até mesmo se eu não tivesse utilizado nenhum framework, não faria a mínima diferença. Nesse caso os frameworks escolhidos só entram como facilitadores na implantação da arquitetura.
Mas voltando ao foco inicial, que é explicar a arquitetura, o que eu pensei foi em criar um Web Service com as operações específicas para tudo o que eu precisaria fazer no módulo de vendas, ou seja, eu precisaria identificar todas as ações que eu precisaria realizar para fazer essa integração e alimentar esse módulo. Na verdade, além de alimentar eu também precisaria recuperar algumas informações do módulo de vendas. Como os módulos (site, vendas, newsletter) ficariam provavelmente em servidores diferentes, em bancos diferentes e em estruturas diferentes essa era a forma mais limpa de realizar a integração sem causar dependência entre esses módulos e com isso dar manutenção seria bem mais fácil.
Como já estava definido que eu iria utilizar Web Service, eu optei por utilizar o formato RESTful, pois eles se encaixava perfeitamente na minha necessidade: me trazia simplicidade, praticidade, facilidade, além do que no meu caso a aplicabilidade de ROA, que é o conceito que Web Services RESTful utilizam, era muito mais evidente do que a abordagem de serviços.
O próximo passo era identificar os recursos necessários e criar as URI que eu utilizaria nos requests do meu Web Service REST, então ficou dessa forma:
- user/new
- user/retrieve/email
- user/retrieve/cpf
- order/new
- order/save/products
- order/retrieve/last
- shipping/calculate
Para desenvolver esse Web Service RESTful resolvi utilizar o Zend Framework, pois ele possui alguns componentes que me ajudariam a desenvolver esse Web Service mais rápido, como o suporte a Web Services RESTful, por exemplo, o ZF também tem uma API para trabalhar com JSON muito boa, então esse foi outro componente do ZF que eu resolvi utilizar.
Como no módulo de vendas já existiam classes de modelo que representavam as entidades do meu domínio, o que eu fiz foi criar uma estrutura JSON semelhante as essas entidades e que representaria os requests/responses do meu Web Service RESTful. Paralelo a isso criei algumas classes de apoio que serviriam como os Marshallers e Unmarshallers do Spring. Marshallers e unmarshallers são como data mappers, e no meu caso servem para eu mapear um objeto JSON para um objeto PHP (classes modelo) e também realizar o inverso.
Dessa forma com objetos JSON convertidos para objetos PHP que representavam as minhas classes modelo eu poderia usar a camada de persistência existente na aplicação para persistir todo objeto, então no caso de salvar um novo usuário, ficou assim:
| PHP | | copiar código | | ? |
| 01 | function saveUser($user) { |
| 02 | $userObject = Unmarshaller::user(Zend_Json::decode($user)); |
| 03 | $conn = DB::getConnectionHandler(); |
| 04 | |
| 05 | $result = $conn->user->save($userObject); |
| 06 | |
| 07 | if ( $result ) |
| 08 | return array('status' => TRUE, 'response' => 'Usuário cadastrado com sucesso.'); |
| 09 | else |
| 10 | return array('status' => FALSE, 'response' => $conn->ErrorMsg()); |
| 11 | |
| 12 | } |
| 13 |
Bem simples, né? No exemplo acima, criei algumas classes estáticas (utilitárias), a primeira me retorna um objeto de conexão com o banco de dados e a segunda classe representa o unmarshaller para transformar um Objeto JSON em uma classe de modelo que representa um usuário, após isso foi só persistir o usuário e retornar as mensagens correspondentes para quem está acessando recurso.
Visão geral
No fluxo de salvar um novo usuário, teríamos:
1) Site (módulo site) deseja salvar um novo usuário;
2) Site monta um objeto JSON com os dados que representam o novo usuário;
3) Site acessa o Web Service RESTful do módulo de venda através do recurso user/new;
4) No módulo de venda, o método mapeado para o recurso user/new, faz unmarshaller do objeto JSON mapeando os valores desse objeto JSON para uma classe de modelo;
5) O usuário é persistido através do objeto que foi mapeado no passo anterior;
6) O Web Service RESTful retorna a mensagem correspondente para o site.
Quando se fala em arquitetura é comum pensarmos em algo complexo, cheio de tecnologias, frameworks e etc, mas o foco de arquitetura não deve ser esse, o foco de arquitetura deve ser pensar em uma estrutura que prime pela organização, relacionamento e reuso dos componentes de softwares envolvidos em um sistema, onde o intuito deve ser facilitar e não complicar.
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Por que JSON e não a velha e boa serialização de objetos do PHP?
De fato eu poderia serializar o objeto e transportar a string com a representração dessa serialização ao ivés de usar JSON, mas como a idéia é propor uma integração independente de plataforma (conceito de interoperabilidade) eu preferi usar o JSON.
Aí você pode dizer: as duas pontas usam PHP, você poderia usar mesmo assim.
Sim, eu poderia, mas como eu disse não quero criar essa dependência, nunca se sabe o futuro hehe, além do que o JSON é um formato meio que padrão para troca de dados em serviços REST.